XEPA: COLETIVO DE ESTUDO DISSO TUDO
Fundado e dirigido por Marcelino Peixoto - Belo Horizonte, 1971 (artista plástico, profesor, graduado em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFMG, Mestre em Artes Visuais pela mesma Universidade, vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil) - e Viviane Gandra – Belo Horizonte, 1977 (artista plástica, artista gráfica, coordenadora editorial, graduada em Desenho pela Escola de Belas Artes da UFMG, vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil e Unquillo, Argentina) -, o Xepa atua desde 2005, tendo como foco principal ações e intervenções em espaços e formatos variados.
O Coletivo Xepa se propõe a promover, através do advento do não-sentido (ou dos ‘sintomas’ do sentido), a expansão do conceito de arte para além de seus limites materiais, simbólicos e espaciais. Para tanto, evoca as imagens do desvio, procedimento que se verifica (ocorre) sempre na carne sensível do mundo, ainda que para provocar sua ruína.
Conscientes da não-neutralidade dos espaços/tempos de atuação e do espectador, o Xepa enuncia suas atuações como grifos, como faíscas, como centelhas instauradoras de fenômenos (aparição/imagem primeira) cujos limites são indeterminados – suas bordas permeáveis são as próprias ações/intervenções e os que as sofrem, configurando entre tais corpos porosos (obra e o outro) um espaço de transferência, onde algo se perde e algo se inaugura; os fenômenos de re-ordenação simbólica ocorrem entre, em meio a. A transferência torna-se então uma região nem fora, nem dentro.
Ao localizar sua atuação na carne do mundo, o Coletivo Xepa instaura um mútuo processo de pesquisa fundada na experiência compartilhada, onde experimentar é entrar em relação com a totalidade do aparato sensorial. Assim, o Xepa – coletivo de estudo disso tudo – busca sempre uma atuação em parceria com outros coletivos ou ações autônomas com o propósito de fazer das iniciativas do Coletivo um espaço de confluência de múltiplas estratégias de atuação. Nesse processo, a diferença, a alteridade é vista não como um empecilho, mas como possibilidade de abrir as noções e compreensões para além delas mesmas, buscando o suplemento, a substituição de um sentido dado para que, então, o poético aja como um dínamo e não como um mecanismo.